Sampa Dança celebrou nossa diversidade e competência
Por Milton Saldanha
Nossa dança de salão já pode fazer sucesso em qualquer lugar do mundo. Até poucos anos antes acho que ninguém ousaria fazer esta afirmação. Hoje, podemos. Minha convicção pessoal, pelo menos, se tornou definitiva a partir do emocionante espetáculo do Sampa Dança 2009, no Teatro Frei Caneca, intitulado “Latino Atlântico Sul”. Em dois atos, sob a direção do brilhante João Carlos Ramos, do Rio, tivemos ali um painel da nossa riqueza e diversidade na dança, de causar inveja a qualquer outro povo.
Em sua insaciável curiosidade cultural na dança, indo além do samba e forró, os ritmos domésticos que mais representam o Brasil, a turma profissional e semi-profissional está dançando de tudo, e bem. Salsa, zouk, tango, por exemplo, em suas diferentes vertentes, estilos, linhas, foram importados, assimilados e agora são interpretados com invulgar competência e brilho, alguns já capazes até de serem confundidos com as melhores gerações dessas origens nativas.
Até que me provem o contrário, venho dizendo que o Brasil é o país mais dançante do mundo, tanto em quantidade de praticantes como na variedade das danças aqui praticadas. Neste país se dança de tudo, do balé clássico às danças regionais e folclóricas mais variadas, inclusive indígenas, que os próprios brasileiros estão longe de conhecer em sua totalidade e riqueza.
O painel do espetáculo do Sampa Dança não foi único, nem novidade. Seu impacto não derivou da variedade de ritmos, já conhecida e esperada, mas da qualidade das execuções. Então volto ao que afirmei lá no começo deste comentário: já podemos dançar no exterior sem fazer feio, inclusive em países que dominam por tradição determinadas danças. Em alguns casos, se bobear, fora do circuito das grandes estrelas, o brasileiro faz até melhor que muitos donos da casa, porque nosso esforço de superação de bloqueios e dificuldades para determinadas expressões corporais é simplesmente fantástico.
Geralmente somos muito duros, quando não injustos, com as coisas que nosso país tem de bom. Esquecemos das nossas qualidades e também dos problemas e defeitos de outros povos, como se lá fora fosse tudo bom e aqui tudo ruim. Basta viajar e ser atento para ver que não é bem assim. Sem patriotadas tolas, nossa música popular é inigualável. E nossa dança, aos poucos, também caminha para isso. Ou quase.
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