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Podemos melhorar o baile!

Por Milton Saldanha

Simples, indolor e não se gasta dinheiro. Basta bom-senso, educação, respeito ao parceiro e ao espaço coletivo.

Ronda do baile
Uma sugestão para quem entende de dança de salão e promove bailes: pelo menos uma vez, durante a festa, use o microfone para sugerir o respeito à ronda do baile. O que vem a ser isso? Dançar em linha reta, seguindo uma faixa imagi­nária, como essas para os carros nas ruas. Ja­mais em diagonal ou fazendo zigue-zague, mui­to menos fora do sentido anti-horário. Já cansa­mos de repetir aqui que o baile atravancado é uma praga que precisa ser extirpada. Quando as pessoas entenderem a importância disso tere­mos bailes mais fluídos e gostosos. É muito importante também o deslocamento, sempre em linha reta. Quem gosta de dançar lento ou quer curtir um amasso deve usar o centro da pista, deixando espaço livre para quem gosta de dan­çar rápido e se deslocando.

Cotovelos, cuidado!
Já que não dá para deixar os cotovelos em casa, seria interessante que todos seguissem uma norma dos grandes tangueiros argentinos: dan­çar sempre com os cotovelos apontados para o chão. Jamais erguidos, como uma arma pontu­da, que a qualquer momento pode atingir al­guém. Além da segurança, manter os cotovelos abaixados melhora a postura e o visual dos ca­sais.

Cadeiras na pista
Quem ocupa mesas junto à pista de dança do baile precisa ficar atento a um detalhe: sem­pre que se levantar, recolher a cadeira para junto da mesa. É muito desagradável esbarrar em ca­deiras durante a dança, e isso acontece a todo momento, em todos os bailes.

Vem gente na preferencial!
Vai entrar na pista para dançar? Não custa nada esperar um pouquinho a passagem do ca­sal que está vindo em sua direção. Simplesmen­te entrar e barrar bruscamente o caminho é falta de educação e cortesia.

Querem conversar? Saiam da pista
A turminha se encontra e começam os abra­ços e beijinhos, mais o bate papo, em plena pista de dança. O baile que se dane...
Isso às vezes é inevitável, então quando acon­tecer com você, que tem bom senso e respeito pelo baile, convide o grupo para se afastar da pista enquanto conversam.

O espaço é de todos!
Nada contra quem se acha o rei da cocada preta. Desde que respeite o espaço coletivo. Em pista cheia não dá para fazer show, muito menos movimentos perigosos, que possam atin­gir alguém. Será que algum dia os engraçadinhos vão entender coisas tão simples?

Peça desculpa
Acontece com todo mundo, é normal: de repente, involuntariamente, você atingiu alguém com o pé ou braço. Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso. Interrompa ime­diatamente a dança e peça desculpa. Simplesmente ignorar e seguir seu caminho é demons­tração de grossura.

Lave as mãos
A principal recomendação contra a gripe suína é lavar constantemente as mãos. Porém, com gripe ou sem gripe, convenhamos: é tre­menda falta de consideração com os demais ir ao banheiro e simplesmente sair sem lavar as mãos. Muitas pessoas, homens e mulheres, não to­mam esse cuidado por mera preguiça. É um ab­surdo.

Preserve o banheiro
Usou o banheiro? Lembre-se que outros tam­bém vão usar. E que você certamente ainda vai voltar ali, gostando de encontrar tudo limpo, em ordem. Sempre acione a descarga, mesmo que seja só um pipi rápido. Não dá choque. Não jogue papel no chão. Homens, atenção para não pingar fora do vaso. Não deixe o mármore da pia inundado. Em dois segundos você passa um papel-toalha, é tão simples. As pessoas realmente civilizadas são aquelas que sabem se com­portar num banheiro.

Troque a camisa
Está calor, baile lotado, você sua intensa­mente e encharcou a camisa. É simples: troque. Existem vários tecidos que não amassam e po­dem ser levados enroladinhos em qualquer bol­sa de mão. Ninguém merece dançar abraçado com uma pessoa ensopada de suor, é extremamente desagradável.

Bafo de onça
Halitose, popularmente conhecida como mau hálito, é um problema sério em bailes e aulas de dança. Carregue sempre um peque­no kit com escova, pasta, fita dental. Comeu algo, doce ou salgado, escove. Tomou cafezinho, escove. Passou um bom tempo, escove. Aquele gostoso bolo de aniversário, dez minutos depois, segundo os dentistas, já estará com o açúcar penetrando sorrateira­mente em seus dentes, para causar futuras cáries. Não é só o hálito que está em ques­tão, mas também sua saúde bucal. Chiclete ou goma de mascar também ajudam a disfar­çar o hálito, mas dispense na hora de dançar, não é nada estético. Num show, então, fica horrendo.

Cigarros e copos
O cigarro agora está proibido nos ambien­tes coletivos e a multa é pesada. Mesmo assim vale a recomendação: jamais dançar fumando. Além de feio, típico de quem não é dançarino, pode queimar alguém e causar grave incidente. E lugar de copos e garrafas é nas mesas, bem longe da pista de dança, pelos mesmos moti­vos. Se você enxergar alguém fumando ou be­bendo na pista reclame com a direção da casa. Compete a ela coibir os abusos dessas pessoas sem educação.

Não force passagem
Querer abrir caminho na pista na base do corpo a corpo é uma grande mancada. Numa pista lotada não tem sentido julgar-se o tal e sair dando esbarrões e forçando passagem. Os gran­des e verdadeiros dançarinos respeitam os de­mais casais e sabem se comportar num espaço concorrido. Esbarrão é atitude típica dos piores dançarinos. Fique longe deles!

Aceitar ou não o convite?
A famosa tábua, a recusa ao convite para dançar, é válida e aceitável só em casos espe­ciais. Por exemplo, se o homem se apresentar bêbado, ou fizer o convite de forma rude. Ou, ainda, se tiver fama de comportar-se de forma inadequada durante a dança. Pode ser por as­sédio ou pela forma de dançar, expondo a mulher a situações constrangedoras e/ou que possam causar contusões. Fora desses casos extremos, a recusa à dança é uma grosseria, que fere quem convidou em sua auto-estima. Mas ninguém é obrigado a dançar uma seleção inteira. Agradeça e pare quando quiser.

Mulher pode convidar?
Pode e deve, não há nada de errado nisso, principalmente entre amigos. Essa etiqueta machista e arcaica algum dia vai desaparecer. Nas milongas argentinas, na prática, as mulhe­res também convidam, com o olhar.

É lícito fazer passos de show?
É, desde que o espaço na pista permita, sem atrapalhar o fluxo e sem colocar ninguém por perto em risco. Afinal, as pessoas aprendem e praticam tanto nas academias para que? Para nunca usar? E mais: ouse sempre, improvise, tente criar seus próprios passos. Isso tornará sua dança mais rica e prazerosa, além de inova­dora.

Dancem um para o outro

Dança a dois é troca, conexão e emoção. O prazer deriva disso. Quem tenta fazer da par­ceira, ou parceiro, mera escada para exibicionismo não está dançando. O homem tem que saber esperar e respeitar os tempos musicais da mulher, fazê-la brilhar. E ela preci­sa também tomar iniciativa, entender as su­gestões do cavalheiro e responder de forma ati­va e bonita.

Ausência a dois
O pior defeito de qualquer dançarino, ou dançarina, não é desconhecer passos ou condu­zir mal. É o descaso com o outro. Por exemplo, dançar virando a cabeça para os lados, dando fé de tudo que está acontecendo ao redor e nas mesas. Alheio ao parceiro. É uma dança totalmente desprovida de emoção. Fujam de quem tem esse péssimo hábito!

Aplaudir, sempre
Gostou da banda? Bata palmas, sempre. Gostou do show? Idem. Isso para os profissio­nais é extremamente importante, gratificante, estimulante. Mas se não gostar, esqueça.

Conduza a dama à mesa
Meninos, que coisa feia quando largam a dama sozinha na pista depois da seleção. Pois saibam que é uma das coisas que elas mais repa­ram e reprovam em vocês.

Marcação
Em baile de academia, por favor, esqueça aquela marcação contadinha que o professor passou em aula. Aquilo é só para efeito didáti­co, você não precisa nem deve dançar assim. Faça tudo a seu modo, inclusive criando adapta­ções justamente para fugir da marcação padrão e sem graça
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