Philip Miha e Rodrigo Delano, exemplar soma na liderança do zouk
Por Milton Saldanha
Rodrigo Delano e Philip Miha tinham tudo para ser rivais como artistas, ainda que vivendo e trabalhando em estados diferentes. No entanto ocorre e exatamente o contrário: se admiram, se ajudam, trocam experiências e conhecimentos. Fazem do zouk, somando forças, a potência que agora se alastra cada vez mais.
O zouk brasileiro vai muito bem, obrigado, bombando em quase todo o país. São pequenas multidões de zuqueiros nas principais capitais e maiores cidades, fazendo aulas e lotando os bailes. Principalmente em São Paulo, mas com destaque especial também em Porto Seguro, com o campeonato anual; Curitiba, onde em março teve o 1º ZoukSul, promovido pela academia Edson Carneiro Dança de Salão; e em Belo Horizonte, no início deste julho, com o 5º BHZouk, da Universidade de Dança de Salão Rodrigo Delano.
Quem começou tudo isso foi Philip Miha, em São Paulo. Hoje, ele constitui uma liderança incontestável da modalidade. No BHZouk, além da intensa participação como professor e nos shows, principalmente na festa na Praça da Liberdade, Philip Miha teve seu nome amplamente reconhecido e intensamente aplaudido. A iniciativa foi do próprio Rodrigo Delano, que homenageou Philip na noite de sexta-feira, antes mesmo de sua chegada em Belo Horizonte. Com compromissos profissionais em São Paulo, Philip só chegou no sábado. Delano então repetiu a homenagem com ele presente, logo após o show na Festa Vermelho e Branco, o baile na Casa Pueblo, um templo da dança no sentido literal, a arquitetura da casa lembra muito aquelas igrejas barrocas do Século XVIII.
Rodrigo Delano e Philip Miha tinham tudo para ser rivais como artistas, ainda que vivendo e trabalhando em estados diferentes. No entanto ocorre e exatamente o contrário: se admiram, se ajudam, trocam experiências e conhecimentos. Fazem do zouk, somando forças, a potência que agora se alastra cada vez mais, como dança que encanta e seduz principalmente o público jovem, embora possa ser praticada por pessoas de qualquer idade.
Essa amizade entre os dois é um exemplo para a dança de salão de modo geral. Não vou ficar aqui cheio de dedos para tocar num tema que todo mundo está cansado de saber: ainda persistem na dança de salão algumas mentalidades tolas, mesquinhas, retrógadas, que só conhecem a competição pela visão do atraso. Não por aquilo que traz de bom, que é a busca da evolução e da superação. Pessoas que não conseguem entender que na guerrinha traiçoeira dos bastidores não há vencedores, ninguém ganha jamais, todos perdem sempre. Principalmente o articulador de artimanhas, o puxador de tapetes, o demolidor de reputações.
Amigos, isso não adianta. Quem nasceu para ser bom, em qualquer campo de atividade, só ficará cada vez melhor com o tempo. Em alguns casos, como no aspecto intelectual, até na maturidade. Quem tenta por inveja e insegurança deter isso nos outros, não só perde seu tempo, como trabalha contra si próprio, porque a fama de mau caráter estará circulando mais cedo do que imagina. E de mau caráter todo mundo quer distância. O mau caráter geralmente é também um tremendo vaselina. Esse é o pior de todos. Recebe você com um largo sorriso, abraço exagerado, fala alto para todo mundo ouvir, menciona seu nome no aumentativo. Você passa a ser Carlão, Pedrão, Paulão... Depois, pelas costas, tudo que ele quer é ver você se estrepar. Exceto se você tiver absoluta certeza sobre seu amigo, cuidado sempre com esse tipo. Nestes 15 anos do Dance já vi de tudo e mais um pouco. Certa vez, por exemplo, recebi um e-mail irado de um covarde que se escondia num nome falso. Ele estava simplesmente transtornado pelos elogios que o jornal já havia dedicado ao trabalho de Jaime Arôxa. O sujeito maltratava também a língua portuguesa, revelando-se ignorante de pai e mãe. É claro que eu não daria uma baixaria dessas no Compasso do Leitor, não iria manchar um jornal feito com tanto carinho. Apenas deixei o invejoso ainda mais doente ao responder pessoalmente que o jornal só costuma dar espaço aos verdadeiros talentos. O que, evidentemente, não seria o caso dele.
O jornal Dance se associa a tudo de bom que Rodrigo Delano falou sobre Philip Miha. E acrescento mais: ele representa um padrão de educação, serenidade e elegância que a dança precisa tomar como espelho. Mesmo quando certa vez fiz críticas a um campeonato promovido por Philip, sua reação foi de discordância ao jornal, mas todo o tempo de compreensão do papel de um periódico sério, que prega qualidade. Naquele episódio conheci melhor a educação e elegância de Philip Miha. Confirmou sua excelente reputação, sem vacilar em sua firmeza. Acabamos sem concordar um com o outro, creio, num diálogo longo por telefone, mas meu respeito por ele só aumentou. Depois disso nos tornamos parceiros e mais amigos como membros da equipe do Dançando a Bordo. Agora, no BHZouk, sua atenção e carinho com a presença do jornal Dance em Belo Horizonte não me deixaram dúvidas que as divergências foram superadas e que se trata de um verdadeiro cavalheiro. Poderemos algum dia, eventualmente, voltar a discordar. É do jogo democrático e da independência crítica do jornal. É justamente isso, e o passado, que valorizam este insuspeito e merecido elogio público. Parabéns, Philip Miha! Não apenas o zouk, mas a dança como um todo precisa de mais gente como você.
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