Entrevista: Karina Carvalho e Rodrigo Oliveira
Por Milton Saldanha
"Entramos e saímos com postura de campeões"
O casal que ocupa a capa desta Edição de Aniversário dos 15 anos do Dance, Karininha e Rodrigo, campeões do 4º Concurso de Salsa do Rey Castro, já tem fama entre os dançarinos de salão de todo o Brasil, além de amigos e fãs também no exterior, principalmente em Porto Rico, para onde embarcam dia 26 de julho, emendando com o Baila Costão, para disputar mais um mundial de salsa. Karina está na capa do Dance pela segunda vez. Na primeira, que pode ser lida na Internet, este jornal contou sua vida em detalhes. Rodrigo é novo na dança, e já com sucesso. Ainda sob a emoção da nova conquista, na mesma semana, o casal campeão deu a entrevista a seguir ao repórter Milton Saldanha.
Dance - Rodrigo, as coisas estão acontecendo com rapidez?
Rodrigo - Considero minha carreira relâmpago, porque não tenho uma bagagem como a da Karina, de mais de 16 anos de dança e muitos títulos. Tenho oito. Comecei com um casal excelente, o William Minatan e Paula Dominguez; depois fui para a Cia Terra, com Fabiana Terra e Gustavo Lilla. Até que comecei o trabalho com a Karina, que se desenvolveu de forma muito legal e dinâmica. Trabalhamos juntos no Centro de Dança Jaime Arôxa, Espaço Andrei Udiloff, CelsoVieira. Hoje temos nossa própria escola, o Clube Latino, na Consolação, e estamos também na Academia das Artes, no Tatuapé. Participei de todos os grandes eventos da salsa no Brasil, ganhando a maioria das competições.
Dance - Considerando Porto Rico, vocês são o 9º melhor casal do mundo na salda. Como avaliam e participação no concurso do Rey Castro, que mesmo sendo um belo evento, não pode ser comparado com um campeonanato mundial?
Rodrigo - Acompetição do Rey Castro está abrindo portas para novos talentos. Achei muito legal, porque deu para a gente ver novas caras na salsa, do pessoal que está estudando e se desenvolvendo. Já entramos sabendo que temos uma bagagem que outros não têm, e entramos em cena deixando isso claro. Soubemos nos colocar, entramos e saímos com postura de campeões. Muitas pessoas nos questionaram, perguntando se a gente não tinha medo de perder. Temos maturidade suficiente para saber que bastava impor nosso trabalho para obter um resultado óbvio.
Karina - Acompetição sempre traz uma experiência muito interessante para quem está participando. Sempre afirmo o seguinte: a gente não compete com outros, e sim com a gente mesmo. Então vamos sempre buscar superar nossos próprios limites. Achei neste ano o campeonato muito bonito, porque o nível foi maior, dos competidores. O semiprofissional, por exemplo, mostrou a maturidade da salsa em São Paulo hoje. O nível profissional trouxe várias surpresas. Nossa participação surpreendeu sim algumas pessoas, mas foi muito importante para nós, porque estamos indo defender o mundial em Porto Rico; o Rey Castro é uma casa muito bacana, que sabe receber bem e incentiva o pessoal; estão demonstrando uma transparência muito legal, apresentando as notas logo depois da prova e também na Internet. O nível se elevando, aumenta nossa repercussão lá fora. É muito bom treinar em casa o que teremos que fazer lá fora, em todos os sentidos. Ganhar, ou perder, é o seu momento. Pode acontecer, com qualquer pessoa, algum imprevisto. Competição é assim. Todos tinham ótimo nível e graças a Deus nossa experiência nesse momento prevaleceu. A gente soube ter um pouco mais de tranqüilidade. E mais: quando você compete, seu trabalho não está definido pela competição, você apenas mostra uma parte dele. Seu trabalho não é aquilo, é fora dali. Como você se relaciona com as pessoas, como apresenta-se na sua vida e não só naquele momento.
Dance - A entrada de vocês não atrapalhou as chances de acesso aos novos dançarinos?
Karina - Muito pelo contrário, as pessoas precisam ter referências. Temos também esse papel de ser referências. Quem está chegando tem que aprender com quem já estava aí. Eu aprendo até hoje com quem já estava, os novos aprendem conosco, e assim consecutivamente. Não estamos fechando portas, essa visão não é correta. As pessoas podem competir de forma amistosa, profissional e calorosa. Quem tiver um bom trabalho vai conquistar seu espaço.
Dance - E o que acharam da categoria amador ?
Karina - A categoria amador é primordial. Eles estão abrindo as portas para que as pessoas continuem aprendendo a dançar salsa. Uma das coisas que seria muito importante sugerir ao Rey Castro é a inclusão nas regras, para amadores, do veto ao acrobático.
Dance - Por quê?
Karina - Porque acho que o amador tem outro papel na sociedade da dança. Ele está ali para curtir, se divertir, socializar. Deveria se limitar a movimentos no chão, porque é a realidade do nosso baile.
Dance - Inclusive pelos riscos?
Karina - Sim, também pelos riscos, mas mais pelo conceito da palavra amador. Ele vai representar o baile, quem vai ao baile para se divertir, e lógico que não vai ficar jogando a mulher para o alto, em principio, como já diziam os famosos estatutos da gafieira. É maravilhoso ter amadores mostrando a dança simples do dia a dia.
Dance - Como será em Porto Rico?
Karina - Fomos bem colocados nos últimos três anos, não precisamos disputar o Salsa Open no Brasil. Lá já entramos nas quartas de final, que reúnem os campeões nacionais, de cada país. E estaremos dando aulas, pelo segundo ano consecutivo. Sendo no Congresso Mundial, é uma abertura muito grande, não só para Rodrigo e Karina, Clube Latino, mas para o Brasil!
Rodrigo - Quero destacar outra coisa legal e importante é que estamos conseguindo um patrocínio parcial da Troppo, bela casa dançante de São Caetano do Sul. O Taricano está investindo na dança de uma forma direta e isso é muito importante.
Karina - A seriedade no trabalho das categorias profissionais na dança está começando a ser vista pelas empresas, que percebem que isso traz uma visibilidade e uma imagem diferente para o trabalho delas. Agregar a imagem da empresa à dança é uma coisa realmente maravilhosa!
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