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Entrevista: irmãos Vladimir e Andrei Udiloff

Por Milton Saldanha

A energia foi contagiante no Sampa Dança.
Indiscutível sucesso, e maior que os anteriores, o Sampa Dança, realizado de 10 a 14 de junho, é avaliado nesta entrevista ao repórter Milton Saldanha por seus criadores e dirigentes, os irmãos Andrei e Vladimir Udiloff.

Dance - Que avaliação vocês fazem do Sampa Dança 2009?
Andrei Udiloff - Achamos que surpreendemos muitos com o resultado. O Sampa Dança marcou definitivamente seu espaço no calendário dos grandes eventos de dança do Brasil. Não dizemos pela quantidade, pois há vários eventos com mais participantes, mas principalmente pela qualidade do que foi apresentado.
Vladimir Udiloff - Abrimos e fechamos o evento com dois espetáculos, que ficarão marcados na memória do público presente e dos profissionais que deles participaram. É muito difícil reunir num só palco tantas estrelas e todas com um brilho tão intenso. Deu para perceber que a apresentação de um profissional estimulava a do próximo. A energia foi contagiante.
Andrei - As oficinas, palestras e debates passaram pelo mais amplo campo de idéias e propostas. Os participantes puderam conhecer um pouco mais do que há de novo na dança de salão no Brasil e no exterior. A dança de salão está conseguindo mostrar a sua grandeza e valor do seu papel perante a sociedade e, principalmente, seu grande potencial como mercado. Apesar da nossa estrutura pequena e com poucos recursos, o resultado foi grandioso. Acreditamos que demos conta do recado. A resposta tem sido muito positiva.

Dance - O que mudou, comparando com os anos anteriores?
Andrei
- Ainda estamos aprendendo e experimentando qual é o formato organizacional ideal para o evento, porém a idéia central se mantém desde o primeiro encontro, que é pesquisar, experimentar e debater a dança de salão sob diversos pontos de vista. A diferença é que estamos abrangendo um público maior e um número maior de profissionais. O intercâmbio tem sido muito mais rico. Estamos aprendendo, por exemplo, no quesito debates. João Carlos Ramos mostrou que, além de grande criador, é mediador de grande qualidade e habilidade.
Vladimir - A troca de idéias foi mais produtiva e a maioria dos profissionais saiu com a energia renovada para aprimorar seu próprio crescimento. Percebemos quantidade maior de profissionais fazendo as aulas dos colegas de evento. Este ano fizemos o espetáculo de abertura numgrande teatro. O encerramento continuou sendo no baile. Acreditamos que a dança de salão tem que apresentar todas as suas possibilidades cênicas. Razão pela qual apresentamos espetáculos no palco e no salão de baile. Pudemos, assim, mostrar a diversidade que ambientes cênicos diferentes podem apresentar, sem perder a grande qualidade do que pode ser mostrado.
Andrei - Percebemos também que não podemos fazer eventos simultâneos. Além de dividir o público, confunde o participante e o profissional na hora da sua escolha. Este ano conseguimos abranger ainda mais o mapa do Brasil, tanto em relação às inscrições, que vieram desde Fortaleza a Caxias do Sul, quanto à participação dos profissionais contratados. Houve profissionais de Açailândia, Maranhão, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Recife, além de países como a Argentina, Estados Unidos, Porto Rico, Venezuela, saindo assim do eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, do primeiro encontro de dança. Ainda não conseguimos dar espaço a todos os grandes profissionais de São Paulo, mas conseguimos dar espaço a um número bem maior que o ano passado e todos puderam apresentar seu trabalho num ambiente descontraído e com muito respeito profissional.

Dance - O número de participantes, percentualmente, cresceu ou diminuiu? Quantas pessoas, no total, participaram neste ano, incluindo bailes?
Andrei - O Sampa Dança começou como um encontro muito pequeno . No primeiro ano houve 70 inscritos e 400 participantes no total, incluindo o baile. (NR. Como os bailes e espetáculos fazem parte dos eventos, como as demais atividades, é critério do jornal Dance considerar também como participantes estes públicos).
Vladimir - No segundo ano houve 350 inscritos e 2100 participantes. Neste ano tivemos 570 inscritos e 3500 participantes, juntando também, como é critério do Dance, com os bailes e espetáculos. Porém, este ano as pessoas participaram de mais oficinas, 7 em média. A movimentação de pessoas, pelas atividades diurnas, foi muito maior.

Dance - Como os professores, de maneira geral, repercutiram o evento?
Andrei - Foi muito gratificante saber pelos alunos que todos os profissionais, no final das aulas, diziam que esperavam ser convidados para o próximo ano. Ouvimos de todos os professores que eles se sentiram em casa e que o tratamento dado a eles foi muito acolhedor. Os professores que vieram pela primeira vez não esperavam um encontro com tal magnitude. Ouvimos isso até dos internacionais. Os professores que já haviam participado também ficaram impressionados pelo crescimento.
Vladimir - Ouvimos muitos elogios em relação à organização. Infelizmente, ouvimos poucas críticas construtivas. O brasileiro tem receio de criticar abertamente. Porém, somos os nossos maiores críticos e temos uma lista enorme de coisas para melhorar para o ano que vem. Como o evento cresceu, os problemas também aumentaram muito. Já estamos trabalhando para que no próximo não se repitam os mesmos erros e para aprimorar os acertos.

Dance - O evento se pagou? Deixou vocês mais ricos ainda? (Risos).
Andrei - Bom, para começar estou bem longe de ser rico. A estrutura da nossa escola é grande, porém os gastos também. É mais fácil controlar financeiramente um evento pequeno, como foram os anteriores. Um evento do tamanho do Sampa Dança não tem como se pagar sem patrocínio. As pessoas acham que ganhamos muito dinheiro. Por um lado estão certos, pois entrou muito dinheiro. O problema é que saiu mais do que entrou. Se não fosse pelos nossos apoiadores e parceiros o rombo teria sido ainda maior. Mas este nunca foi o foco do encontro. O orçamento sempre foi feito para que o evento se pagasse e no máximo sobrasse um pouco. Este ano ficou difícil ter esta dimensão, uma vez que o orçamento foi infinitamente maior e o déficit até que foi pequeno se compararmos ao tamanho das despesas. Focamos desde o início na qualidade do evento, mesmo que com isto tivéssemos que gastar mais. Claro que gastamos sempre com muita responsabilidade e parcimônia, caso contrário não conseguiríamos realizar o evento.
Vladimir - Nossa filosofia nunca foi focar a busca pela usura. Foi, e sempre será, em primeiro lugar oferecermos qualidade exemplar de trabalho, a forma de pensar em como é a dança e como as pessoas devem ser honestas e respeitosas umas com as outras. Tudo isso é medido através da satisfação dos nossos clientes e dos nossos profissionais. Os sacrifícios pessoais são muito grandes e os resultados no campo profissional satisfatórios. Considero nosso trabalho um verdadeiro “amor à arte”. Esta sim é a grande riqueza que ganhamos a cada ano.

Dance - Haverá Sampa Dança em 2010? Qual a data? Será igual ou terá novidades? Quais?
Andrei - Com certeza haverá Sampa Dança em 2010. Acontecerá de 2 a 6 de junho, sempre no feriado de Corpus Christi. Teremos várias novidades, porém não podemos contar. E como não sabemos como será o orçamento, não podemos adiantar nada ainda. Quando tivermos mais informações, com certeza o jornal Dance será um dos primeiros a saber.

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