A talentosa turma de Butiá
Por Rubem Mauro Machado
Uma turminha de entusiasmados pré-adolescentes e adolescentes chama a atenção durante as aulas e oficinas do Latin Mix. A curiosidade vira surpresa quando se descobre que eles vieram para o evento da pequena cidade de Butiá, localizada a 80 quilômetros de Porto Alegre. Desmentindo a crença de que o Rio Grande do Sul seria um tanto refratário à dança de salão, os miúdos comprovam que os gaúchos, mesmo os do interior, estão sim antenados com a modernidade e abertos à prática dessa atividade tão prazerosa.
A responsável pelo pequeno milagre de incluir de modo pioneiro a dança de salão entre as atividades escolares, e isso numa cidadezinha de pouco mais de 20 mil habitantes, que vive sobretudo de suas minas de carvão, é Nilza Araújo, professora, orientadora educacional e diretora da Escola Visconde de Mauá.
– Nunca fiz aula de dança, mas sempre gostei de dançar, de freqüentar bailes – conta ela – Há quatro anos decidi que educação não é só quadro-negro e giz e decidi ensinar dança de salão às crianças.
Como não tinha espaço no colégio, Nilza usava a garagem de sua casa para a atividade extra-curricular. Segundo ela, os resultados foram espetaculares.
– Além de desenvolver o aspecto estrutural da criança e sua sociabilidade, a dança também ensina o respeito ao limites do outro e a solidariedade. Quando um aprendiz tem dificuldade com um passo, é ajudado por outro que tem mais facilidade. Mais desinibidas, hoje essas crianças conversam, brincam e dançam com todo mundo. É uma pena que a dança não faça parte do currículo de todas as escolas.
Em pouco tempo, os estudantes, com idade entre 7 e 14 anos, tomaram gosto pela coisa: já se apresentaram diversas vezes em Porto Alegre, no interior do Estado e em Florianópolis, tendo acumulado prêmios em várias competições de dança, como o bicampeonato do Festival de Lajeado. Do encontro de Capão da Canoa trouxeram dez troféus.
Desde o início, Nilza teve o apoio decidido dos pais, que financiam os figurinos e passagens para eventos e cursos. Atualmente 30 alunos estão no projeto.
– Chegou um momento em que percebi que não tinha nada mais a ensinar e que os alunos precisavam de uma orientação de fato profissional. Foi quando procurei o estúdio de dança do Fernando Campani, em Porto Alegre.
Campani submeteu cinco casais de alunos a testes e todos os dez ganharam bolsas. Hoje, as crianças vêm de van de Butiá todos os sábados, para duas horas de aula, de todos os ritmos.
– O trabalho da professora Nilza é impressionante e merecia ser imitado – diz Campani – Se esses jovenzinhos estão dançando tão bem, pode acreditar, o mérito é todo dela.
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