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A dança e os presentes que nos proporciona

Por Monica Steinvascher - Coordenadora artística

Falar ou escrever sobre as situações, emoções e oportunidades que a dança e o trabalho a bordo tem nos proporcionado seria um bate papo de duração indeterminada. Talvez necessitássemos de todos os cafés ao por do sol do Costa Magica neste cruzeiro...

A exemplo de muitos casais na dança de salão, eu e Theo nos conhecemos num baile, no Avenida Club, de São Paulo, em 1995. E o navio indiretamente passou a fazer parte das nossas vidas desde aquele momento, porque o Theo estava se preparando para viajar no Eugenio Costa, em janeiro, e a pessoa que nos apresentou era seu futuro colega de cabine.

Desde aquela época a vida nos agraciou com muitos presentes. O primeiro foi o convite do  professor Ricardo Liendo, em 1997, para viajar durante um mês no Costa Marina. Ele foi nosso mestre. Sua filosofia de trabalho e a vontade férrea de fazer acontecer somouse à experiência, liderança e garra do nosso primeiro e  eterno diretor de cruzeiros, Naim Ayub. Os dois nos conquistaram e despertaram nossos espíritos para esta missão. E desde  então não paramos mais.

O segundo maior presente foi o Dançando a Bordo. Através dele podemos  mostrar o potencial da dança de salão brasileira. Ano após ano é sempre surpreendente ver o grande número de praticantes. E o evento nos ensina a conviver com a responsabilidade de liderar equipes realmente   incríveis, de professores de dança das mais variadas modalidades e ritmos, bem como do qualificado grupo de personal dancers.

Quando estamos em terra, longe dos navios, a alegria é ser recebidos com grande carinho em   eventos de dança e escolas de todo o Brasil. Ou mesmo nas casas das pessoas,como já ocorreu com Carlinhos de Jesus e Juan Carlos Copes, por exemplo, quando tivemos o privilégio de ouvir suas histórias, experiências, ensinamentos. Foram momentos que jamais imaginamos que algum dia poderíamos desfrutar, conhecendo também suas famílias.

E, conviver com uma pessoa inacreditável, Francisco Ancona, com quem temos contato diário em reuniões, almoços, telefonemas. Com ele podemos amadurecer a cada dia nossa visão profissional.

Durante estes 12 anos juntos em navios, Theo e eu colecionamos miniaturas dos pontos turísticos de cidades e países que  visitamos. Não foram poucos. Todo o litoral brasileiro e sulamericano, Fernando de Noronha, Terra do Fogo, países banhados pelo Mediterrâneo. Além das miniaturas, colecionamos fotos de encher os olhos. Guardamos  sensações inesquecíveis, como duas cenas que não sairão jamais das nossas mentes e corações. Uma delas aconteceu no porto de Lisboa, Portugal. O desembarque dos passageiros atrasou por causa de trâmites burocráticos portuários e eles saíram para esperar nos decks externos, devido ao calor e para acompanhar as movimentações em terra. Theo e eu, como membros do staff, estávamos autorizados a descer do navio e caminhamos para a saída do porto. No meio do caminho escutamos um hóspede gritar “Theo e Monica, obrigado, vocês são ótimos!”. E aplaudiu, ganhando a adesão dos aplausos e assobios daquela multidão. Imaginem o tamanho dessa emoção, ao olhar um navio repleto de pessoas nas varandas e decks te aplaudindo. Choramos, trememos e dançamos. Nada mais apropriado para expressar nossa alegria.

Outra cena foi inaugurar o navio Costa Serena, na França. Que viagem incrível! Conhecer o navio ainda no estaleiro, com plásticos no chão; cadeiras e sofás sendo embarcados para terminar a decoração; cabines sem armários, tudo cheirando a novo. Participar da sua primeira ida ao mar e, finalmente, depois de tudo pronto e arrumado, ver a tripulação a postos para embarque. Ouvir, numa cerimônia de gala fora do navio, “eu te batizo Costa Serena”, seguido do tradicional estouro no casco da garrafa de champagne gigante. Meu coração quase saiu pela boca. Filmamos e assistimos umas mil vezes para ver os detalhes da garrafa...

Mas, temos que confessar uma coisa: o maior presente recebemos todos os dias. São os emails, telefonemas e, quando embarcados, os encontros com hóspedes que já viajaram conosco. É sempre um carinho enorme. Recebemos presentes, fotos, alguns ligam perguntando em que navio estaremos porque desejam nossa companhia. E mais: prestigiam os eventos que organizamos em terra. Não existe ambiente, seja em restaurante, evento, clube ou até shopping, onde não encontramos algum hóspede amigo. A família é realmente grande. Foram, em média, umas duas mil pessoas por semana, durante quatro meses, em 12 anos. Já pudemos participar, mais ou menos, da vida de 384 mil pessoas.

Nos sentimos extremamente felizes e honrados quando proporcionamos mudanças positivas: um cruzeiro inesquecível, a volta do prazer de dançar a dois, novos alunos para escolas, casais que se reconciliam através da dança, novos profissionais se desenvolvendo porque descobrem seu talento, oportunidades para nossa equipe que trabalha durante a temporada brasileira. É o talento brasileiro nos navios e no mundo.

Obrigado Milton Saldanha e Rubem Mauro Machado pela amizade e carinho, e pelas  reuniões em almoços deliciosos.

Obrigado a todos vocês por fazerem parte desta história. 

Um grande beijo da Monica e Theo!

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