Os 15 anos do Dance - O que mudou na dança de salão
Por Milton Saldanha
Tendo por dever fazer perguntas aos outros, para informar bem, desta vez vamos subverter as regras editoriais, com a pergunta acima, para contar a você, leitor, um pouco sobre a vida deste jornal. Afinal, chegar aos 15 anos, totalizando 165 edições (uma não foi numerada), não é pouca coisa, quando a gente sabe que publicações dirigidas (especializadas e focadas num único assunto) na maioria dos casos têm vida muito curta, pelos mais variados motivos.
O que mudou na dança de salão a partir da existência deste jornal? Posso garantir e provar que mudou muito. Quem já estava na dança antes de julho de 1994, quando foi lançado o Dance, sabe que não existia qualquer tipo de informação de grande alcance. É bom lembrar que a Internet também não existia, só apareceu vários anos depois. As pessoas não se conheciam tão bem e amplamente como hoje. Nenhum jornal diário dava espaço à dança de salão. Quando muito, saia alguma minúscula nota sobre algum baile, geralmente de debutantes, em eventuais colunas sociais, e olhe lá. Um precário boca a boca era o máximo que se tinha, lembrando que São Paulo não é como cidadezinha do interior, onde tudo se sabe. Nesta colossal cidade ninguém está se cruzando todo dia na pracinha central.
Dançarino desde os 14 anos, e freqüentador semanal de todas antigas gafieiras paulistanas a partir de 1968, eu próprio me defrontava com enormes dificuldades quando queria descobrir algum lugar novo e diferente para dançar. E foi justamente essa percepção da falta de informações, sendo eu jornalista de carreira desde 1963, que me inspirou a criar o Dance. Idéia que guardei em segredo por muito tempo, até soltar a primeira edição, em junho de 1994, com 8 páginas em preto e branco e seis pequenos anúncios. Um pequeno texto de apresentação, na capa, terminava com uma afirmação categórica: quem dança é mais feliz! Virou bordão, hoje lido por todo o Brasil.
Foi a partir do surgimento do Dance que as pessoas da dança de salão, profissionais e amadores, começaram realmente a se conhecer. Ter nome no mercado era sorte de raros profissionais. E mais famosos, ainda assim só no âmbito do nosso meio, só havia Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa, ambos do Rio. O lançamento do Dance democratizou o direito à fama. Como a grande mídia sempre torcia o nariz para nós, dançarinos de salão (hoje já melhorou muito), o Dance partiu também em busca da nossa dignidade e identidade como comunidade. O jornal se tornou combativo. Os editoriais que assino na página 2 foram criados para isso. A resposta do público foi uma maciça aceitação e alto índice de leitura, que me surpreendeu porque geralmente são textos longos. Até hoje, onde vou, inclusive em viagens, que são muitas o ano todo, sempre tem alguma pessoa comentando algum editorial, ou vários. Isso me realiza como jornalista. Compartilhar da sensibilidade do leitor é tudo de bom.
Acesse
www.jornaldance.com.br
www.gentequedanca.com/miltonsaldanha
www.gentequedanca.com/jornaldance
Veja Também
- Sampa Dança celebrou nossa diversidade e competência
- Philip Miha e Rodrigo Delano, exemplar soma na liderança do zouk
- Entrevista: Karina Carvalho e Rodrigo Oliveira
- A história do zouk
- Os 15 anos do Dance - Pioneiro na dança de salão
- Entrevista: irmãos Vladimir e Andrei Udiloff
- Parece que foi ontem
- Música para os olhos



